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A Reinvenção da Psicanálise no Brasil: Novas Perspectivas e Desafios

  • Foto do escritor: ANDERSON DE SOUZA ZANETTI SILVA
    ANDERSON DE SOUZA ZANETTI SILVA
  • 25 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

A Nova Geração de Psicanalistas


O modelo de Freud só nos serve se puder ser usado para pensar as condições materiais que existem aqui. Embora o funcionamento inconsciente nos aproxime, os fenômenos a que estamos submetidos devem ser considerados.


A psicanálise no Brasil está em constante transformação. Os jovens psicanalistas brasileiros estão reinventando essa prática. Isso não acontece sem causar algum ruído no norte global, onde a psicanálise nasceu. Aqui, discutimos como pensar conceitos como complexo de Édipo, identificação, trauma e parentalidade. Esses conceitos devem levar em conta a experiência de colonização e a miscigenação forçada que nos fundamenta.


O Banzo e a Psicopatologia


Um grupo de pesquisadores em uma instituição conhecida está repensando a psicopatologia freudiana. Eles fazem isso a partir do estudo do banzo. Esse termo se refere ao adoecimento relacionado à experiência de escravização. As mazelas psíquicas que decorrem da nossa história falam muito mais sobre os fundamentos da nossa subjetividade do que as histéricas que serviram de modelo para Freud. O precioso modelo de Freud só é útil se puder ser aplicado às condições materiais que vigoram aqui, e não na Europa. O funcionamento inconsciente nos aproxima, mas os fenômenos que enfrentamos precisam ser considerados.


Para distinguir a escuta do inconsciente dos fenômenos subjacentes, o analista deve reconhecer ambos. Esse giro não ocorreu por causa da boa vontade de psicanalistas brancos e renomados. Foi impulsionado pelos cotistas das universidades. Ao se formarem e escolherem o campo "psi", trouxeram à tona temas espinhosos que a academia e as instituições psicanalíticas ignoravam.


A Inclusão e Seus Desafios


Esses jovens começaram a questionar o epistemicídio. Isso se refere à exclusão de autores e temas interseccionais. Eles também apontaram a falta de análises acessíveis, essenciais para a formação de psicanalistas. Além disso, as barreiras linguísticas entre os diferentes territórios do Brasil foram discutidas. A pressão para acolhê-los em instituições consagradas tornou-se irrecusável. As respostas a essa pressão variam em sucesso.


Políticas de inclusão sem as correspondentes políticas de permanência podem levar a novas formas de sofrimento. Os suicídios de jovens universitários são um exemplo claro da necessidade de acompanhamento no processo de inclusão.


Os jovens psicanalistas que vêm de territórios e classes sociais desfavorecidas não devem nada às instituições que os acolhem. Essas instituições não teriam como se tornar relevantes no Brasil do século 21 sem eles. Os estudos que esses jovens acessam são guiados por seus próprios saberes e têm a periferia como destinatária.


O Trabalho Compartilhado


Quando esses jovens começam a clinicar, não se propõem a ignorar seus territórios de origem. Eles não desejam "pagar pau" para as instituições psicanalíticas hegemônicas. A ideia é promover um intercâmbio e um trabalho compartilhado. Isso deve ocorrer sem perder o direito de ter acesso a tudo que a geração anterior teve, por dispor de recursos.


A psicanálise do norte global não pode prescindir dos estudos realizados em nosso país. Esses estudos incluem temas como colonização, racismo, gênero, território e classe. A psicanálise ocupa outras paragens, mas continua sendo psicanálise. "Tá ligado?"


Conclusão


A reinvenção da psicanálise no Brasil é um processo contínuo. Ele reflete a diversidade e a complexidade da nossa sociedade. Ao integrar novas perspectivas, podemos encontrar um caminho mais inclusivo e sensível. Isso não apenas enriquece a prática, mas também oferece novas oportunidades para o autoconhecimento e o bem-estar emocional.


A psicanálise, ao se adaptar às realidades locais, se torna uma ferramenta poderosa. Ela ajuda a entender melhor nossas experiências e a promover a paz interior. É um convite para todos nós refletirmos sobre quem somos e como podemos nos conectar de forma mais profunda com o mundo ao nosso redor.


(OBS.Gosto muito desse texto da Vera Iaconelli porque ela toca no ponto central da nossa prática: não dá para clinicar no Brasil usando apenas teorias europeias. O texto me tocou por mostrar que a nossa escuta precisa fazer sentido na nossa realidade, olhando de frente para o racismo e para as condições socioeconômicas dos pacientes. A psicanálise por aqui só continua viva e relevante se estiver disposta a escutar o Brasil real. ANDERSON ZANETTI).


 
 
 

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